o projeto

Sou remadora de canoa havaiana há pouco mais de dois anos. Comecei a remar para fortalecer o meu corpo e o meu sistema imunológico, após passar por tratamento de câncer de tireóide (cirurgia e radioiodoterapia). Anteriormente, já havia me submetido ao tratamento de dois cânceres de mama também.

E foi logo nas primeiras remadas que, para minha surpresa, eu descobri que a atividade física de REMAR é uma das melhores para a reabilitação de pessoas que passaram por tratamento de câncer de mama. Essa ideia me encantou e me coloca em movimento, querendo compartilhá-la com as demais pessoas. O contato com a natureza, o céu, as árvores, o vento, a água, trouxeram-me enormes benefícios. É uma prática muito interessante para a gestão do estresse.

Entretanto, posso dizer que o meu maior ganho tem sido experenciar uma mudança, um processo de ressignificação do meu corpo. Tenho o peito recoberto por cicatrizes e elas guardam a memória negativa do que passou. Ainda, com o tratamento cirúrgico, efetuaram a retirada de toda a cadeia linfática na axila, porque é o primeiro foco de disseminação do câncer de mama. Por conta disso, ganhei um linfedema no braço direito, que algumas vezes me trouxe complicações sérias, como inchaços excessivos e doloridos, além de infecções.

Todavia, quanto mais eu remava e me dedicava à canoa havaiana, melhor sentia o meu corpo, principalmente tronco e braços, com melhora significativa do linfedema. Como isso é libertador! Tenho conseguido, aos poucos e com persistência, substituir a memória negativa no meu corpo por outra, absurdamente positiva.

Ainda hoje em dia, inclusive na classe médica, existe um tabu muito grande para pacientes que passaram por tratamento cirúrgico de câncer de mama praticarem atividades físicas que envolvam braços e tronco. Porém, o que se vê, na prática, é que ao não exercitarem tronco e braços, mulheres mastectomizadas acumulam problemas nos ombros, encurtamento de músculos, fraqueza muscular, inabilidade motora e, consequentemente, um decréscimo de qualidade de vida.

REMAR é tão bom para pessoas masctectomizadas (que tiveram procedimentos cirúrgicos para retirada de mama) justamente porque fortalece as mesmas partes do corpo que ficaram debilitadas com esse tipo de cirurgia, ou seja: ombro e cintura escapular. Significa qualidade de vida, e falo isso por experiência própria!


O médico Don Mackenzie, através de pesquisas realizadas na Universidade de British Columbia, com uma embarcação denominada Dragon Boat, foi o precursor em propagar a ideia de remar como prática física para a reabilitação em cirurgias de câncer de mama. Atualmente, existe um movimento global, a Internacional Breast Cancer Paddlers Comission, para estimular e incentivar essa prática. No Brasil, já encontramos equipes constituídas como a Canomama, em Brasília,  UmaUma, no estado de São Paulo, Lisa Flor em Alagoas, dentre outras.

É UM TRABALHO INÉDITO NO PARANÁ!

Tendo essa experiência significativa em meu próprio corpo, posso dizer que remar fortalece o sistema cardiorespiratório e é eficaz para o controle de peso e desenvolvimento de massa muscular, o que evita lesões e fraturas, diminuindo o inchaço e também as dores persistentes nos braços decorrentes do linfedema. Além disso, sentir-se saudável e forte fisicamente, produz uma melhora na autoestima e se observa uma redução de sintomas depressivos, tão comuns nesse tipo de doença.

Aconteceu naturalmente...desde o ano passado começaram a aparecer oportunidades, através de palestras, entrevistas e programas de TV, para eu falar sobre esses benefícios.

Assim, desde o começo de 2.019, venho desenvolvendo o Projeto REMANDO PARA A VIDA, que tem por objetivo promover ações para divulgar os benefícios de REMAR para pessoas que passaram por tratamento de câncer de mama. O projeto tem quatro pilares:

REMAR + NUTRIÇÃO + DESENVOLVIMENTO PESSOAL + BELEZA NATURAL

Faço treinamento regular e forte na academia e na água, participo de competições, faço palestras e produzo conteúdo para as redes sociais para, justamente, divulgar essas vantagens aqui relatadas.


Hoje, tornou-se meu propósito de vida. Aquilo que faz meu coração bater mais forte e meus olhos brilharem. Quero seguir nesse caminho! Dedico, praticamente, meu tempo integral para essa missão, porque amo remar, sinto-me bem fisicamente, tenho pensamentos positivos e não tenho mais medo de morrer. Quero dividir isso com as demais pessoas, contribuindo para  conectá-las com a Natureza e, também, com a sua própria  essência, despertando suas potencialidades e força interior, inspirando e as estimulando à praticarem atividades aquáticas de remada.

 A ENERGIA DA EMPATIA E DO COMPARILHAMENTO É CAPAZ DE PROPAGAR NOVAS IDEIAS, MUDAR PARADIGMAS E TRANSFORMAR O MUNDO.

art collage por Deborah Vons